Relato Recorde: Henrique Navarro - Triângulo FAI de velocidade 100 - 300 e 500km

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Ave,

Ontem, dia 11 de Setembro, consegui bater 3 recordes Brasileiros de planador na Classe Open: velocidades em triângulos FAI de 500km, 300km e 100km, com um voo em Bebedouro-SP feito a 161km/h.

O dia anterior (sábado) prometia muito, realmente dava todas as caras de ser muito potente. Mas ainda estamos em Setembro, os dias não são tão longos assim, e por isso achei que era melhor tentar um record de velocidade, e não um record de distância.

Como disse, o dia prometia ser forte. Mas algo poderia permitir que o dia fosse magnífico - poderíamos ter caminhos de nuvens ascendentes, já que as características para que isso acontecesse estavam presentes na atmosfera: inversão ou camada estável superior para limitar o desenvolvimento vertical das correntes convectivas; ventos calmos para moderados no solo – coisa de 15 km/h tá bom; direção do vento constante com a altura (alterando no máximo 20 graus), até chegar ao nível de convecção.

Com isso em mente, bolei uma rota (um triângulo FAI) de 500km que otimizasse esse possível caminho de ascendentes.

Dei a largada tarde, até porque o estimado era mesmo largar as 13:00, e ainda durante o reboque vi que ia ser complicado: havia uma forte bruma que mal me possibilitava enxergar a cidade de Colina, a apenas 20km de Bebedouro. O céu mais escuro deixaria as térmicas mais fracas, e inevitavelmente iriam morrer mais cedo também.

De fato foi um pouco difícil, e consegui completar a prova mais por insistência mesmo. Fiz os 500km chegando em planeio final em Bebedouro. Se tivesse que voar mais 50km eu não conseguiria. Fiz 128km/h graças a base que estava alta, e me permitiu escapar de algumas armadilhas da meteorologia. No norte, por exemplo, indo de Uberaba para Campina Verde, haviam paredões, cortinas mesmo de fumaça que a toda hora eu tinha que furar para então ver o que havia do outro lado, e então decidir se valeria a pena prosseguir.

Chega domingo, e a previsão era exatamente a mesma. Só me restava acreditar que eu teria a mesma meteorologia de sábado, mas sem a bruma. Um pouco de otimismo, sobretudo em fatores que a gente não controla, não faz mal a ninguém e nos deixa menos rabugentos.

Esperei a temperatura chegar nos 33 graus centígrados necessários para a TIC (temperatura de início das térmicas) ser atingida, e decolei, repetindo a prova de sábado. O dia estava bem mais claro, e assim que começaram a formar as nuvens, eu vi que todo o esforço em traçar uma rota que otimizasse o vento se pagou: caminhos de nuvens na primeira perna!

Consegui tocar bem nessa perna de 166km que ia até um ponto entre Uberlândia e Uberaba, fazendo 155km/h. Só para comparar, no mesmo percurso no dia anterior eu tinha feito 102km/h! O vento de superfície estava forte, uns 20km/h, por isso optei por reduzir um pouco o MacCready e assim ficar mais alto nessa perna, onde o vento não só era mais fraco (uns 5km/h), mas a direção também mudava um pouco para través. Parei para girar somente em 7% dessa perna.

A perna dois, 153km rumo a Campina Grande, começou com bons caminhos também, e cheguei a 160 km/h de média até a metade da prova. Mas depois da metade, começaram alguns buracos azuis, e é difícil manter uma velocidade média tão alta assim, pois a cada vez que pegamos alguma ascendente e damos uma chamada para 120km/h, a velocidade média começa a cair. Consegui me defender mais ou menos, e fechei essa perna a 152km/h.

 

E aí veio a terceira perna, de 185km, onde eu teria a vantagem do planeio final para ser queimado, trocando altura por velocidade. Consegui novamente alguns caminhos bons, e na hora que as térmicas começaram a ficar fracas e começou a apagar, eu já estava entrando em planeio final. Consegui fechar essa perna a 176km/h.

 

E com isso a velocidade média do voo ficou em 161km/h, em 3:08 horas de voo, batendo os recordes de 500km (que era de 128km/h), 300km (que era de 152km/h), e de 100km (que era de 151km/h).

 

Pelas minhas contas, eu precisaria de um índice térmico de 3.1 m/s para bater o record de 128km/h. Embora o índice térmico do voo tenha sido praticamente isso (3.4m/s), eu fui 33km/h mais veloz, o que mostra o quanto os caminhos de ascendentes me ajudaram nessa prova, que girei apenas 10%. Também efetuei somente 5% de desvios, o que é muito baixo, mostrando quanta sorte eu dei por ter caminhos de nuvens alinhadas com a rota.

 

E dá para melhorar essa média? Opa, sempre dá! Um leve windshear na base das nuvens (ok, isso era importante para os caminhos de nuvens, não dá para ter tudo também) às vezes me fazia procurar as térmicas no lugar errado, e eu acabei dando umas voltas em térmicas cisalhadas, possivelmente nas suas bordas. Foram 6 destas voltas bobas – e como são looongas as voltas de Nimbus 4...), jogando fora 3 minutos de voo, o que faria o voo ir para 164km/h de média. Também se eu tivesse uma carga alar de 58kg/m2 como um Quintus por exemplo, eu teria uma redução no tempo de 8 minutos. E aí já teríamos chegado em 170km/h... Bem, o limite só existe na nossa cabeça.

 

Por fim, cabe aqui uma menção honrosa ao detentor deste último record de velocidade em triângulo FAI de 100km, que era de 151km/h: esse record pertencia ao saudoso Wolfi Gabler, e a façanha é que ele fez esse voo incrível de Discus, ou seja, um planador da Classe 15-metros detinha um record da Classe Open. Eu precisei de 11,6 metros a mais de asa para bater o record do Wolfi. Ele continua com o record na classe 15-metros, e eu realmente não acho que vou ver esse record ser batido nos próximos anos (ou décadas).

Relato Recorde: Antoniebi - 300 Km de ASK-21

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"Era um final de semana sem maiores pretensões. A primeira ideia era só descansar de um mês muito trabalhado e nada melhor do que uma ida até Bebedouro para ver o movimento do pessoal voando distância, preparação, organizando a eletrônica e as máquinas, tomar umas cervejas e bater muito papo descontraído.

Relato Recorde: André Lautert - Triângulo FAI 500 km

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Sob um céu de blues

"O domingo de sol do dia 16 de novembro de 2014 começou com menos vento que o normal em Palmeira das Missões, onde nessa época um ventinho relativamente forte nos recebe pela manhã. Já pelas 9:00 horas quase não havia mais vento, coisa que costuma acontecer somente mais perto do meio dia.

Relato Recorde: Jolando - Triangulo FAI de 430km

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"Já era minha quarta tentativa de fazer esse triangulo FAI de 400km, que no dia 11/10/2014 foi quebrado com o surpreendente valor de 417km com 108 km/h de media em um ASK21 pelo Grande Navarro. Bom, já que não consegui fazer nem o TRI de 400km e ele quebrou com 417km, bora tentar o de TRI de 430km."

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Relato Recorde: Jolando - Ida e volta 420km

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"Animadíssimo após o voo do dia 14/10/14, decidi procurar mais alguns recordes para quebrar, sei de minhas limitações quanto às velocidades médias que consigo inserir atualmente no Silent-In, portanto, procurei recordes de distância, e como o Navarro já descreveu, também participo de um mesmo fascínio pelos “Ida e Volta”, onde você tem que controlar suas emoções para não entrar em pânico quando lê no GPS a distancia de 210km num planador de 30/1 quando já se foi metade do dia..."

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